Título: O universalismo europeu
Título Original: European universalism: the rhetoric of power
Subtítulo: a retórica do poder
Autor(a): Immanuel Wallerstein
Prefácio: Luiz Alberto Moniz Bandeira
Tradutor(a): Beatriz Medina
Páginas: 144
Ano de publicação: 2007
ISBN: 978-85-7559-097-3
Preço: R$ 28,00
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“Immanuel Wallerstein destaca-se como um dos maiores críticos da globalização capitalista e da política internacional dos Estados Unidos, ao lado de intelectuais como Noam Chomsky e Pierre Bourdieu.”
Luiz Alberto Moniz Bandeira

A retórica das potências dominantes para justificar seu império é o tema deste novo livro do sociólogo norte-americano Immanuel Wallerstein. Como os poderosos criam narrativas e conceitos que justificam ataques com interesses econômicos e geopolíticos contra outros países? Com apresentação de Luiz Alberto Moniz Bandeira, a obra analisa, entre outros casos, as raízes da mentalidade dos neoconservadores na defesa da Guerra do Iraque e os paradoxos, limites e contradições das chamadas “intervenções humanitárias”, como as que ocorreram em Kosovo e a missão que o Brasil hoje lidera no Haiti; além da farsa do conceito conhecido como “choque de civilizações”.

O autor visitará o Brasil para o lançamento do livro e palestra no ciclo Fronteiras do Pensamento , em Porto Alegre, no dia 4 de setembro.

O “universalismo europeu” do título é o falso universalismo, em torno das idéias igualitárias da modernidade, como direitos humanos e democracia, usadas, no entanto, para reafirmar uma pretensa superioridade dos países do eixo ocidental (Europa–Estados Unidos), que justificaria suas intervenções militares. No primeiro capítulo, “Quem tem o direito de intervir?”, Wallerstein parte de um debate ocorrido na Espanha, no século XVI, logo após a descoberta da América, entre Bartolomé de las Casas e Juan Ginés de Sepúlveda. Ambos discutiram sobre que direito tinham os conquistadores espanhóis contra os povos indígenas. Para Wallerstein, desde Sepúlveda, defensor de massacres em nome da cristianização, as bases da defesa de intervenções militares são as mesmas. E suas razões de fundo, naquele caso a tomada das riquezas das terras do novo mundo, também. A luta de Las Casas no interior da Corte espanhola para mostrar que o mal infligido pela guerra era muito maior que o pretenso bem de suas justificativas, estava condenada porque questionava a maneira como o próprio poder imperial se legitima e se estrutura.

No segundo capítulo, o autor mostra de que modo o Orientalismo foi usado no período colonial para estabelecer uma relação de superioridade cultural com sociedades complexas, e em muitos casos de raízes muito mais antigas que a ocidental, da Ásia e do norte da África. Retoma a importância da luta anticolonial contra o Orientalismo e a trajetória de dois intelectuais fundamentais – o egípcio Anouar Abdel-Malek e o palestino Edward Said – no desmonte do “particularismo essencialista” que, por meio de estereótipos e de generalizações, caracteriza o outro sempre como o atrasado e assim retira seu direito à autodeterminação.

Wallerstein estuda ainda a separação entre o humanismo e o saber científico na academia, o que gerou o “último e mais poderoso dos universalismos europeus”: o científico, a ciência como verdade. A produção do saber desligada de objetivos do bem comum, com a universidade como ator do mercado e legitimadora acrítica do poder. A superioridade técnica de um povo sobre outro entendida como direito de dominação.

No último capítulo, Wallerstein discute o papel do intelectual no mundo de hoje, em um sistema capitalista que o autor considera em crise final. Diante do risco de um novo mundo ainda mais cruel, desigual, e hierárquico, Wallerstein analisa os becos sem saída do pós-modernismo, e a necessidade e as possibilidades da construção de um universalismo não-europeu, mas de fato universal, para uma outra ordem mundial.

Sobre o autor Immanuel Wallerstein nasceu em Nova York (Estados Unidos), em 1930. É doutor em Sociologia pela Universidade Columbia, onde lecionou. Foi também professor na Universidade McGill (Canadá) e na Universidade Binghamton, em sua cidade natal. Desde 2000, é pesquisador-sênior do Departamento de Sociologia da Universidade Yale. Estudioso do marxismo e crítico do capitalismo global, é uma das principais referências teóricas dos movimentos antiglobalização.

PUBLICAÇÕES NA IMPRENSA:

11/12/2006 - Correio Icarabe - É possível ser não-orientalista? - Arlene Clemesha

 

04/08/2007 - Jornal do Brasil - O capitalismo como escola da expansão - Luiz Alberto Moniz Bandeira

 

18/08/2007 - O Globo - Em busca do genuíno universalismo - Rachel Bertol

 

19/08/2007 - Correio Braziliense - Quem fala em nome dos direitos universais? - Emir Sader

 

24/08/2007 - Carta Capital - O sistema-mundo - Luiz Bernardo Pericás

 

25/08/2007 - Zero Hora - Para reunir filosofia e ciência

 

04/09/2007 - Jornal do Comércio (RS) - Críticas ao capitalismo - Eduardo Lanius

 

01/10/2007 - Le Monde Diplomatique - Universalismo universal - Silvio Mieli

 

12/10/2007 - Carta Capital - A queda começou há 35 anos - Márcia Pinheiro

 

17/10/2007 - Carta Capital - Hegemonia em xeque - Márcia Pinheiro

 

28/10/2007 - Estado de S. Paulo - Honestidade e retórica no retrato de uma relação - Ricardo Lísias

 

06/03/2009 - Instituto Humanitas Unisinos - publicado originalmente no jornal espanhol Diagonal - ‘O sistema que sair da crise será muito diferente’. Entrevista com Immanuel Wallerstein - Iñigo Errejón e Pablo Iglesias

 

06/10/2012 - O Estado de S.Paulo - Cultura - A história de um crítico - Da redação

 

12/11/2012 - Outras palavras - Wallerstein: “nenhum sistema é para sempre” - Lee Su-hoon

 

 

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