Um sol para cada um

Edyr Augusto Proença

R$ 37,00

Em Um sol para cada um, seu novo livro de contos, o escritor paraense Edyr Augusto Proença retoma a linha literária que o caracteriza e usa a realidade nua e crua da cidade de Belém como matéria-prima de suas histórias, transportando o leitor para os cantos mais sombrios e escondidos da metrópole.

Os personagens dos 36 textos são escancaradamente verdadeiros e, por isso mesmo, perturbadores. Suas ações e contradições são descritas de maneira direta por Edyr, observador acurado e estilista talentoso. Ficção realista que se recusa a cair em dogmatismos, em Um sol para cada um não há espaço para meias palavras ou tons pastéis.

Por suas páginas desfilam marginais, prostitutas, criminosos e viciados, formando, nas palavras de Nelson de Oliveira, autor da apresentação do livro, um quadro composto por “anti-heróis do desespero”. A narrativa de Edyr é urgente, pulsante, enxuta, por vezes asfixiante, causando o impacto que toda literatura de qualidade deve provocar.

Trecho da apresentação de Nelson de Oliveira

“O fato é que os contos arfantes de Edyr chamam a nossa atenção para a face mais violenta e primitiva da sociedade brasileira. Isso não significa que a maior qualidade desses contos esteja na reprodução documentária do modo de pensar, agir e falar dessa face vulgar e desesperada. A denúncia social ocorre aqui por tabela, ela é o bem-vindo efeito colateral dessa droga poderosa chamada literatura.”

Trecho do conto Sabrina

"Dona Chica me olha de lado. Entro direto no quarto. Não está. Decido esperar. Deito na cama. Cheiro seu travesseiro. Estou neste torpor quando ouço zoada. Um vulto moreno, forte, entra e se atraca comigo. Sinto pancadas no rosto. Me aperta em uma gravata. Estamos suados. Esperneio. Aproveito o suor dos corpos para deslizar. Volta à carga, cego. Ouço um baque surdo e ele mergulha no chão, no vão entre a cama e o armário. Vou olhar. Olhos abertos. O corpo ainda pulsando. Vai saindo um líquido escuro e viscoso da cabeça. Olho em volta. Deu com a cabeça na quina da cama. Afogueado, sento e olho para a porta. Sabrina está lá, pálida. Súbito, some. Ouço seus passos, correndo, fugindo. As mulheres gritam. Ouço uma sirene de polícia. Lá vem Dona Chica subindo com os caras. Não há nada a fazer a não ser esperar.”