Feitiço contra o feiticeiro

16.06.2015

Cultura | Jornal Metro
da Redação

Professor de Cidades e Sociedades na Escola de Arquitetura da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, Stephen Graham tem se destacado por analisar o impacto que a intensificação da força militar antiterrorista tem tido no contexto das cidades. Esse “urbanismo militar” é o tema do artigo que ele publicou no livro Bala perdida, que será lançado semana que vem dentro do Seminário Internacional Cidades Rebeldes, no qual Graham falará sobre o tema. Confira algumas das reflexões que o professor antecipou ao Metro Jornal.

O terror molda ruas

“As cidades são muito vulneráveis a atos terroristas por causa do seu tamanho e complexidade. Grupos desse tipo sabem se aproveitar disso. Nos ataques de 11 de Setembro, eles utilizaram a infraestrutura da cidade como arma. As respostas às ameaças terroristas têm sido muito controversas, assim como as respostas à violência provocada pelas drogas no Brasil, porque elas envolvem a extinção de direitos democráticos e a criminalização dos direitos dos cidadãos. É um contraterrorismo exagerado para dar suporte a respostas estatais bastante autoritárias, que mudam a natureza da cidade com a construção de prédios extremamente fortificados. Se continuarmos assim, teremos um ambiente com cara de subúrbio, porque tudo é apartado do resto.”

Impacto nos cidadãos

“Se você começa a categorizar as pessoas por medo, começa a suspender seus direitos como cidadão. Isso está definitivamente acontecendo em algumas cidades nos Estados Unidos, na Europa e no Reino Unido, com algumas comunidades muçulmanas ficando extremamente frágeis, porque todo o grupo é taxado como terrorista.”

Feitiço contra o feiticeiro

“Essas tecnologias militares têm sido muito abraçadas por cidades como o Rio, que usa drones para identificar alvos. Agora, movimentos sociais que lutam por cidades mais democráticas e um policiamento mais transparente podem usar as tecnologias. Qualquer um pode comprar um drone e fiscalizar o que a polícia está fazendo, como foi feito durante o movimento Occupy, em Nova York.”

Cidade do século 21

“Acho que a bicicleta é a tecnologia urbana mais fantástica já inventada. Passamos cem anos planejando as cidades em torno de carros, e isso criou problemas como obesidade, poluição do ar, de energia… A bicicleta oferece solução para muito disso. Há várias cidades na Europa que removeram os carros quase completamente, resultando em ambientes muito mais relaxados, criativos e disponíveis à interação social. Essa é a maior transformação que podemos fazer no modo como organizamos as cidades.”