'Vivemos uma disputa pelo discurso', diz Wyllys

15.06.2015

Política | DCI
Diego Felix

Um ciclo de lutas pela democracia no Brasil se esgotou e a institucionalização engoliu os partidos. Para conseguir retomar a credibilidade perdida, a esquerda precisa "sair do institucional", voltar às bases sociais. Essa é a opinião de políticos como o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) e a urbanista Ermínia Maricato.

Participando de debate promovido pela Boitempo Editorial, Wyllys e Maricato, juntamente com o secretário municipal da Cultura, Nabil Bonduki (PT), a psicanalista Maria Rita Kehl e o escritor Paulo Lins, eles pediram modelo de política que “não tenha medo de ser impopular, que defenda direitos”.

Wllys avalia que o Brasil está mergulhando numa crise representativa e que “figuras fascistas ganham cada vez mais respaldo com isso”. “Vivemos uma disputa de discurso”, afirmou o deputado.

Já Nabil Bonduki, cita a discussão em torno da maioridade penal e a briga sobre a palavra “gênero” e diversidade sexual, no Plano Municipal da Educação – em tramitação na Câmara de São Paulo – que expõe esse conflito de visões.

“É um modo de pensar que é forte, de achar que ter habitações populares no bairro onde se vive vai trazer o negro pobre e a violência junto”, disse o secretário.

A saída para contornar a crise e o ódio que muitas pessoas nutrem pela política, segundo apresentaram Maricato e Kehl, é conversar, construir o futuro.
“Temos de fazer uma incursão, sair do conforto, ir às periferias e entender a realidade, participar das atividades desenvolvidas por eles. Temos de parar de nos criticar dentro da esquerda”, avlia Maricato.