O protesto internacional chamado “Ocupa, Acampa – 12M#15M” ou “Primavera Global” começou no último sábado, 12 de maio. Em São Paulo, a programação vai até terça-feira, 15. O objetivo é mobilizar os grupos organizados de 35 países para discutir ações contra a desigualdade social e econômica, além de questionar a democracia representativa. Para alcançar esse objetivo, os manifestantes fazem acampamentos nos espaços públicos.
Em São Paulo, o “Acampa Sampa Ocupa Sampa”, terá aulas livres e exibição de documentários na Praça Charles Miller (Pacaembu) entre outras atividades.
O programador Thiago Rosa, 31, esteve em uma das primeiras mobilizações do “Acampa Sampa Ocupa Sampa”, no Vale do Anhangabaú no dia 15 de outubro do ano passado e conta que, agora, na retomada do protesto, o grupo está mais organizado.
“Até terça-feira temos uma programação para discutir as questões de Belo Monte, a luta dos índios Kaiowá e a gestão pública da Copa do Mundo”, disse Thiago. Ele reforça o caráter apartidário do movimento. “A direita brasileira comete abusos como no caso do Pinheirinho e a esquerda reproduz um discurso de progresso eufórico semelhante ao discurso da ditadura militar. Nós queremos aprofundar diversas questões, mas sem a contaminação partidária”, afirmou.
Henrique Carneiro, 52, professor de História Moderna da Universidade de São Paulo foi convidado para dar uma aula pública no primeiro dia da mobilização com a temática do papel dos movimentos ‘Occupy’ na atual conjuntura política global.
“Se fala muito que a Primavera Árabe e os movimentos de ocupação como o 15 de maio, na Espanha, aconteceram por causa das mídias sociais. As redes agilizaram o processo, mas não é a natureza do evento. Não substitui a vivência. Temos uma tendência alienante nesse aspecto”, disse o professor sobre o ativismo digital característico do movimento. Henrique Carneiro é um dos autores do livro Occupy: movimentos de protesto que tomaram as ruas, recém-lançado pela Boitempo Editorial e Carta Maior.
A aula do professor Henrique contou com a ‘participação involuntária’ de dois grupos de percussionistas da universidade Faap e Mackenzie. Eles costumam ensaiar com suas respectivas escolas de bateria aos sábados em frente ao estádio do Pacaembu. Filipe, 20, operador de rádio, estava com o grupo do Mackenzie. “Eu conheço o movimento 12M e as atividades que eles promovem no mundo. Só não sabia que eles estariam aqui hoje”, disse.
A guarda Civil Metropolitana (GCM) também acompanhou de perto as atividades de sábado. “A princípio não pode ocupar espaço público. Estávamos esperando um grupo do ‘Agita São Paulo’ que não veio. Mas eles estão fazendo uma aula aberta, não é isso? Eles estão de boa e não vão incomodar ninguém”, disse a inspetora Regina, que apesar do discurso conciliador pediu para que o grupo retirasse suas barracas de acampamento. O grupo do “Acampa Sampa Ocupa Sampa” negociou com a GSM e prosseguiu com a aula do professor Henrique.
Na Espanha, um ano depois dos protestos em frente à Praça Puerta Del Sol, aproximadamente 2.500 pessoas se reuniram para montar acampamentos e novamente discutir o desemprego e a crise econômica no país. No domingo, 15, policiais dispersaram cerca de 200 pessoas que recusavam sair da praça, segundo o jornal espanhol El País.
“A Europa vive um momento de reação diante da crise. No Brasil, vivemos a crise amortecida. Estamos num momento de construção. No entanto, queremos discutir o valor da condução, as condições de moradia. Somos iguais no desejo de sermos atores sociais com decisões horizontais”, disse o fotografo Diego Torrão, 26, sobre a diferença entre o movimento espanhol e o brasileiro.