A Boitempo Editorial e a Livraria Cortez promovem, nesta quarta (30), a noite de autógrafos do livro A rima na escola, o verso na história, de Maíra Soares Ferreira, a partir das 19h. A obra é vencedora do prêmio Patativa do Assaré, do Ministério da Cultura, de 2010.
Inspirada no diário de viagens de Mario de Andrade pelo norte e nordeste do Brasil, Maíra Soares Ferreira apresenta em seu novo livro a luta pela preservação da cultura popular afro-indígena e sertaneja e sua transmissão às novas gerações. Para isso, analisa comunidades como a da favela do Real Parque, na capital paulista, formada por migrantes descendentes da aldeia Pankararu (PE).
O livro resultou de sua pesquisa-intervenção em torno da criação poética, desenvolvida em sala de aula com professores e alunos do 8º ano do ensino fundamental.
A obra rastreia o processo de subjetivação de um coletivo de trabalhadores afro-indígenas sertanejos que, após ter sido trazido para São Paulo na década de 1950 como mão de obra da construção do estádio do Morumbi, ocupou um terreno à beira da marginal Pinheiros.
Ali, uma comunidade se formou à moda dos aldeamentos forçados, observados desde o Brasil Colônia e a abolição da escravatura nas mais diversas regiões do país, que obrigavam negros, indígenas e homens brancos “livres” pobres a viver juntos e aprisionados como parte da política de miscigenação e apagamento de seus traços étnicos e culturais, para gerar homens “sem vínculos”.
Por outro lado, como parte da resistência a essas mesmas imposições e modalidades de dominação, surgiram as mais diversas formas de hibridismos culturais.
A partir das dificuldades de inserção dessa comunidade na única escola pública de ensino fundamental da região, a jovem pesquisadora foi buscar o verso e a poesia popular remanescentes no Nordeste, reaquecidos pelas formas híbridas de composição poética e musical contemporâneas, no caso, entre o tradicional repente e o rap.
Maíra ressalta o potencial crítico e transformador dessa confluência, formas que a seu ver expressam uma reinvenção da cultura popular nordestina ao apropriar-se do novo combinando-o com o velho. Nesse sentido, a autora não apenas oferece um método de trabalho em sala de aula, como permite compreender a cultura como forma de resistência.
“Este livro tem a virtude de demonstrar a importância de revisitar as origens, o passado esquecido, e aponta-nos a estratégia fundamental de ‘formação’, no sentido amplo do termo, que envolve, como sustenta a autora, um meio de afirmação étnico-social sem o qual dificilmente se obterá a adesão dos alunos das camadas populares – alunos esses que clamam por renovação no interior das instituições públicas de ensino”, afirma Mônica Guimarães Teixeira Amaral, professora da Faculdade de Educação da USP.