Nesse livro de ficção do historiador Luiz Bernardo Pericás, duas narrativas sobre um mesmo episódio são contadas do ponto de vista de dois protagonistas: Punaré e Baraúna. Eles disputam a bela Cecília, ou Cicica, em uma pequena cidade sertaneja, em algum momento da passagem entre os séculos 19 e 20.
A aridez da paisagem, a tensão inerente a uma sociedade violenta, a escassez das oportunidades e o desejo levam os dois protagonistas a se enfrentarem. Ambas as histórias são narradas em terceira pessoa, mas o narrador acompanha o estado de espírito de seus personagens, aproximando-se do universo narrado também por meio da linguagem, permeada de termos regionais, desusados, típicos, empregados com muita habilidade e, eventualmente, certo enlevo.
O escritor maneja o jogo entre bem e mal, belo e canhestro, desejo e morte num relato que se equilibra entre a proximidade, a localização temporal e a universalidade, a secura e o transbordamento lingüístico.
AVALIAÇÃO - BOM