Para sociólogo, capitalismo atual impõe sua lógica à subjetividade do trabalhador e do consumidor
Professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp, Câmpus de Marília, o cientista social Giovanni Alves lança neste livro um olhar crítico sobre as novas tendências no ambiente de trabalho. Foca a subjetividade do homem que trabalha, tratando das engrenagens de envolvimento e sujeição dele no espaço laboral e dos processos de produção.
Sua atenção recai sobre um novo mercado, onde cada vez mais se utiliza a expressão “empresa enxuta” ou “flexível”. Nesse contexto, a produção do taylorismo-fordismo, que formou a sociedade do automóvel do século XX, estaria sendo substituída por um intenso movimento de
valores da empresa para a vida social e da vida social para a empresa.
As principais características dessa nova realidade são identificadas como ampliação do maquinário
técnico-científico-informacional, intensa exploração do trabalho e apropriação do intelecto no trabalho. Alves sugere algumas categorias novas para explicar a reestruturação
produtiva do capital no século XXI.
Entre elas, estão: sociometabolismo da barbárie, Quarta Revolução Tecnológica, valores-fetiche, inconsciente estendido e compressão psicocorporal. O autor salienta ainda as
implicações corporais da desefetivação do trabalho vivo no capitalismo flexível com a disseminação da doença do estresse.
Como bem aponta o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, o livro oferece condições de compreender a atual reconfiguração do mundo do trabalho. “O conhecimento dessa realidade constitui inexorável parcela no desejo de sua transformação, sobretudo se acreditamos que outro mundo ainda é possível”, argumenta.