SOLEDAD NO RECIFE, de Urariano Mota
Boitempo, 120 págs., R$ 29
Em janeiro de 1973, no Recife, a jovem militante paraguaia Soledad Barret foi assassinada ao lado de outros companheiros no episódio conhecido como "massacre da Chácara São Bento". Foram vítimas de uma delação feita pelo próprio namorado de Soledad, José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, então a serviço do Dops. Sobre traição e amor em épocas conturbadas é o romance Soledad no Recife, no qual o autor, Urariano Mota, inspira-se na trama real para reconstruir o caso de infidelidade e debater sobre o sentimento em tempos de crise.
Mota vê a traição de Anselmo a Soledad como um reflexo da ditadura que trai um povo e seu país. Nesses tempos, acredita, não há espaço para o amor. "É alienação. É claro, disso sabemos agora", diz. No livro, revive a passagem de Soledad pelo Recife e faz um contraponto ao testemunho oficial da época. "Os que veem a morte de frente foram traídos pelo próprio amor. Os que sobrevivem são traídos no seu amor-próprio", diz Flávio Aguiar, na apresentação da obra.
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