Um sol para cada um, de Edyr Augusto Proença, apresenta 36 contos que relatam as baixezas humanas. Cada estória tem uma linguagem particular, em que no mesmo parágrafo é possível encontrar a declaração de mais de uma personagem. Em seu título, Edyr transmite a impressão de que se apropria de fatos mórbidos que com freqüência encontramos nos noticiários, e os transcreve em formato literário.
Os temas variam entre assassinatos passionais, alcoolismo, pedofilia, prostituição, infidelidade. Apesar de abordar questões fortes, a leitura não é pesada, já que o autor trabalha cada estória de forma natural, como se fosse um acontecimento corriqueiro que pode acontecer com qualquer um. Infelizmente, a realidade é essa.
Apesar de tratar questões morais descriminadas pelo senso comum, a obra não faz juízo de valor de suas personagens. Ela envolve com uma narrativa que, presente na maioria dos contos, inicia com cidadãos tão simples como você e eu, mas que, devido as circunstâncias, acabam se encontrando em situações que os levam a tomar medidas extremas. Ou, simplesmente, expõe casos que podem parecer costumeiros em cada esquina, como o dos homens que não conseguem deixar de freqüentar o bar graças a dependência da bebida. Revela a degradação a que essas pessoas podem chegar, mas de forma leve e sutil.
Para quem gosta de títulos que abordem a realidade humana no contexto contemporâneo, mas fica sensibilizado com textos que apelam para o sensacionalismo, abusando de maneira desnecessária na carga emocional dos fatos em determinadas passagens, Um sol para cada um é uma boa opção. O autor consegue trabalhar questões mórbidas de forma clara, simples, objetiva, revelando um clássico espelho social, sem ofender os leitores com exageros na narrativa.
Ficha técnica
Título: Um sol para cada um
Autor: Edyr Augusto
Editora: Boitempo
Páginas: 168 páginas
Preço: R$ 28,00
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