Para quem nada sabe sobre uma fração militar da mal-aventurada esquerda no Brasil e, para quem, sabe muitíssimo, Caparaó (Boitempo, 336 págs, R$ 49), de José Caldas da Costa, é interessante, mesmo que por vezes didático em excesso. São trágicas, comoventes até as peripécias mil da guerrilha de 1967. Na serra de Caparaó (MG), nem houve chance de dar tiros. Foram só treinamentos, deslocamentos e agruras. Mas há mortos, um civil e um militar.
Os depoimentos diretos, quase sem edição, de ex-sargentos e marinheiros, são desencontrados, confusos e delirantes. Reside aí sua riqueza. Neles transparecem a inocência e a vaidade, o pejo de cuspir nas próprias aventuras, os subterfúgios. Gravíssimas são as acusações, e pesadas as insinuações, claro que sobre os outros. Há os que se recusaram a depor, mas cujo desempenho foi decisivo, caso de Leonel Brizola. Outros foram mais ponderados, como Paulo Schilling. Resta saber se as acusações serão provadas ou contestadas. No mais, se outras reportagens fossem obsessivas como esta, a recente história brasileira estaria desentranhada e salva. |